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  • José Amorim de Oliveira Júnior

Metáfora da nossa jornada de desenvolvimento: caminhando para alcançar nossos objetivos

Ninguém pode carregar ninguém nos ombros até o seu destino. No máximo, é possível dizer: "Este é o caminho e é assim que eu o percorro. Se você também trabalhar, se também caminhar, certamente atingirá o seu destino". Cada pessoa deve percorrer o caminho por si, sentir cada um dos seus passos. Quem deu um passo está um passo mais próximo. Quem deu cem passos está cem passos mais próximo.


Durante anos, nas suas sessões de meditação, o mestre observou a presença de um jovem que nada falava e que parecia indiferente a tudo.


Certa noite, o jovem chegou um pouco mais cedo e ao encontrar o mestre sozinho aproximou-se dele, interpelando-o:


- Mestre, há muitos anos venho ao seu centro de meditação e tenho reparado no grande número de monges e freiras ao seu redor e no número ainda maior de leigos, homens e mulheres. Alguns deles alcançaram plenamente a realização. Qualquer um pode comprovar isso. Outros experimentaram certa mudança em sua vida. Hoje, são pessoas mais livres. Mas, senhor, também noto que há um grande número de pessoas, entre as quais me incluo, que permanecem como eram ou que talvez estejam até pior. Não mudaram nada, ou não mudaram para melhor. Por que há de ser assim, mestre? Por que o senhor não usa do seu poder e do seu amor para libertar a todos?


O mestre sorriu e perguntou:

- De que cidade você vem?

- Eu venho de Rajagaha, mestre, a trezentos quilômetros daqui.


- Você ainda tem parentes ou negócios nessa cidade?

- Sim, mestre. Tenho parentes, amigos e ainda mantenho negócios em Rajagaha, de modo que frequentemente vou para lá.


- Então, meu jovem, você deve conhecer muito bem o caminho para essa cidade.


- Sim, mestre, eu o conheço perfeitamente. Diria que até com os olhos vendados eu poderia achar o caminho para Rajagaha, tantas vezes o percorri.


- Deve, então, acontecer de algumas pessoas às vezes o procurarem, pedindo-lhe que lhes explique o caminho,até lá. Quando isso ocorre, você esconde alguma coisa delas ou explica-lhes claramente o caminho?


- O que haveria para esconder, mestre? Eu lhes explico claramente o caminho, de maneira a não deixar nenhuma dúvida.


- E essas pessoas às quais você dá explicações tão claras... todas elas chegam à cidade? - Como poderiam, mestre? Somente aquelas que percorrem o caminho até o fim é que chegam a Rajagaha.


- É exatamente isso que quero lhe explicar, meu jovem. As pessoas vêm a mim sabendo que sou alguém que já percorreu o caminho e que o conhece bem. Elas vêm a mim e perguntam: "Qual é o caminho para a realização"? E o que há para esconder? Eu lhes explico claramente o caminho. Se alguém simplesmente abana a cabeça e diz "Ah, um lindo caminho, mas não me darei ao trabalho de percorrê-lo", como essa pessoa pode chegar ao seu destino? Eu não carrego ninguém nos ombros. Ninguém pode carregar ninguém nos ombros até o seu destino. No máximo, é possível dizer: "Este é o caminho e é assim que eu o percorro. Se você também trabalhar, se também caminhar, certamente atingirá o seu destino". Mas cada pessoa deve percorrer o caminho por si, sentir cada um dos seus passos. Quem deu um passo está um passo mais próximo. Quem deu cem passos está cem passos mais próximo. Mas você tem que percorrer o caminho por si só.


Como essa metáfora ressoa em você?



Temos de ter muito cuidado com algumas das atitudes que vemos acontecer, na nossa época.


A gente fala dos jovens de hoje como se eles viessem de um planeta distante, o “planeta jovem”. Se você chegar na sua casa, abrir uma porta você verá um desses lá, mexendo num celular, ou em um computador, mas falamos deles como se fossem ETs. Devemos nos perguntar: “O que nós, pais, estamos fazendo para contribuir para que os jovens de hoje tenham baixa resiliência? O que a gente tá fazendo de errado?” Uma atitude que os pais/adultos estão tomando que contribui para a baixa RESILIÊNCIA dos jovens é não deixarem que eles se frustrem, damos tudo para eles, não querer que eles sofram.


Ouvimos muito dos pais e dos executivos de hoje: “não quero que o meu filho passe pelo que passei, pelas dificuldades que eu passei”. Ora, esses pais não entendem que foram as dificuldades que eles enfrentaram que os fortaleceram e que fizeram deles a pessoa que eles são hoje. Se você privar seus filhos de sofrerem, de enfrentarem dificuldades, desafios, adversidades, eles não se desenvolverão.


Os pais estragam seus filhos quando fazem tudo para ele, desde arrumar uma cama, lavar um prato, não dar responsabilidades, pequenas e grandes, querem resolver tudo para os filhos (inclusive seus problemas pessoais, que eles deveriam aprender a resolver), sufocam os filhos com excesso de proteção, não querem que os filhos sofram, estão fazendo o pior para seus filhos, pois quando eles foram para o mercado de trabalho, para o mundo corporativo, para a vida, enfim, eles vão ter de encarar situações em que não terão ninguém para os proteger, terão de ouvir vários “nãos”, passarão por várias experiências frustrantes... só que eles foram treinados para não ter de lidar com isso, seus pais os acostumaram mal. Eles acabam desistindo do mercado de trabalho, da vida corporativa, porque eles “podem se dar ao luxo” de fazer isso, pois voltam para casa e tá tudo garantido.


Algo está errado! Em nome do amor, os pais estão fazendo demais pelos filhos, e acabam deixando-os despreparados. Os pais estão em overleveraging (SOBRECARREGADOS), fazendo demais pelos filhos e deixando que eles tenham suas próprias experiências e aprendizados e os filhos estão em underleveraging (“FOLGADOS”).


Às vezes fazemos isso com os filhos, fazendo a parte deles, caminhando o caminho que ELES deveriam caminhar. Às vezes, fazemos isso com nos nossos relacionamentos, tratando os maridos ou esposas como “filhos”/“filhas” mimad@s, fazendo a parte deles, por eles.


Definitivamente, não ajudamos quando fazemos isso, quando assumimos as obrigações das outras pessoas, para evitar que elas sofram ou para ser “bonzinhos” com eles.


Quando fazemos as coisas PELOS OUTROS, estamos dando um atestado de incompetência para eles, estamos dizendo para eles, veladamente: “você é incapaz de fazer, deixa que eu faço por você!”. Daí, ficamos sobrecarregados e adoecemos, ficamos sem VITALIDADE.


Não ajudamos ninguém com essa atitude, nem os outros, nem nós mesmos. Ao contrário, atrapalhamos: adoecemos os outros e a nós mesmos também.

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