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  • José Amorim de Oliveira Júnior

Não permita que sua FORÇA se transforme em FRAQUEZA⁣


Estamos acostumados com a classificação de DOENÇAS a partir do modelo do Manual Estatístico e Diagnóstico de Transtornos Mentais (DSM-5), regulados pela Associação Americana de Psiquiatria (APA) e da Classificação Internacional de Doenças (CID), regulada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que engloba todas as condições clínicas em medicina, inclusive os transtornos mentais.


Esses sistemas prestam um serviço fundamental de padronização internacional de diagnósticos e foram elaborados por renomados especialistas de várias partes do mundo e merecem todo o nosso respeito e gratidão pelos avanços que trouxeram para a compreensão e cura de patologias, advindos de séculos de pesquisas e experiências clínicas.


Feito os devidos reconhecimentos, trago um olhar complementar, elaborado pelo psicólogo norte-americano Christopher Peterson, um dos fundadores da Psicologia Positiva, em seu livro The values in action (VIA) classification of strengths, publicado em 2006.


Nessa obra, Peterson oferece um enquadramento no qual as forças de caráter auxiliam no mapeamento dos transtornos psicológicos e servem como um avanço (ou mudança de paradigma) para o modelo do DSM, ao sugerir que cada força de caráter pode ser mapeada como um exagero (quando superutilizada), ausência (quando subutilizada) ou podem, também, ser utilizadas de uma forma ótima, adequada, equilibrada.


Essa abordagem é útil na previsão de transtornos psicológicos, especialmente os transtornos de ansiedade social, como defende Ryan Niemiec, em seu livro Intervenções com forças de caráter (2019).


Todos nós temos pontos cegos sobre nós, sobre nossos comportamentos, emoções, pensamentos, forças de caráter. Há sempre ajustes que podem ser feitos para que possamos crescer e nos desenvolvermos.


Quando uma força de caráter é superutilizada ou subutilizada, deixa de ser uma força e se torna uma fraqueza, algo ruim, negativo, torna-se um problema quando afeta negativamente a própria pessoa e quem está a seu redor.


Por exemplo, a superutilização da CURIOSIDADE torna-se um ATREVIMENTO. A falta de curiosidade leva ao DESINTERESSE.

O DISCERNIMENTO em excesso, gera MENTE FECHADA, CINISMO. A falta, IRREFLEXÃO.

O excesso de BRAVURA (CORAGEM) leva à IMPRUDÊNCIA, temeridade. A falta, leva à COVARDIA.

O excesso de PERSEVERANÇA leva à OBSESSÃO. A falta, leva à FRAGILIDADE.

HONESTIDADE, em excesso, é ASPEREZA (“sincericídio”). A falta, leva à FALSIDADE.

AMOR em excesso leva à PROMISCUIDADE EMOCIONAL. Se faltar, leva ao ISOLAMENTO EMOCIONAL.


Uma boa forma de entendermos o uso adequado, saudável, da força de caráter, e os excessos (superuso) e faltas (subuso) é se imaginar dirigindo em uma rodovia, de noite, tudo escuro.

O subuso é quando o veículo tem algum farol queimado, não ilumina o suficiente, não permite que você, motorista, enxergar direito o que está à sua frente.

O superuso é quando você cruza com um outro carro, vindo na direção contrária, com farol alto, ofuscando a sua visão, te atrapalhando a enxergar.

Já o uso ótimo da força, o uso adequado, equilibrado, é quando o farol está ajustado, funcionando direitinho, te permitindo enxergar, sem atrapalhar quem vem na direção contrária.


Sem equilíbrio, uma luz pode se tornar uma sombra, ou pode ser tão intensa que cega.


Frequentemente, a superutilização das forças tem um impacto nos relacionamentos e o indivíduo que está superutilizando não está consciente desse impacto ou da extensão do impacto.


É mais PROVÁVEL que as pessoas usem em excesso as forças que tem mais a ver com elas e SUBUTILIZEM as forças que elas não aprenderam a usar direito, embora isso deve ser visto como um ponto de partida para a autocompreensão e não como uma prescrição.


Selecionei as forças das 24 forças de caráter para que você perceba se está usando-as na medida certa, se está utilizando em excesso ou se precisa aumentar o uso:

A superutilização ou subutilização podem ser gerenciadas empregando-se outras forças de caráter ou trabalhando-se a força em questão para utilizá-la de uma nova maneira, equilibrada.


Às vezes precisamos apenas ajustar um pouco, para mais, ou para menos, o uso das nossas forças, para termos uma vida mais saudável. Em algumas situações, precisamos ter mais coragem, agir. Em outras, precisamos exatamente do contrário, diminuir a coragem, deixar de agir.


E você, como está usando suas forças de caráter?


Se estiver passando por algum problema, nesse momento, examine-o pelas lentes da superutilização ou subutilização das forças.


Há alguma força que você esteja empregando em excesso, que esteja contribuindo para o problema?


Está precisando aumentar a dose de alguma força, para te ajudar a enfrentar a situação?


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